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MacBook Pro 17"

by Ricardo Bánffy last modified Nov 19, 2008 08:30 PM
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Testando o MacBook Pro de 17"

Mais Notebook

Estaria certo dizer que ele é o irmão maior do MacBook Pro de 15". Tela maior, HD maior, gravador de DVD melhor (o de 15" não suporta dual-layer), bateria, aparentemente, maior. Mesmo software, câmera, rede e processador. São computadores parecidos.

O que mais os distingue, no final, não são as características técnicas, mas o "wow-factor". É absolutamente claro, na primeira batida de olhos, que este computador é um computador sério. Ele não foi feito para ser pequeno, não foi feito para ser leve (mas até é). Ele foi feito para arrancar "Oh"s e "Ah"s de quem estiver à sua volta.

A primeira coisa que chama a atenção nesse notebook é o tamanho. Por tamanho, entenda-se largura. Ele é imenso. Isso é um pouco preocupante, já que, por ser tão "fino", ele parece mais vulnerável aos maus-tratos a que eu exponho meu notebook de trabalho. Jogá-lo em uma mochila, atirá-la no banco do carro e vê-la ser arremessada no chão do carro durante uma freada mais "enfática" não é para os fracos de coração.

Ergonomia

A tela de 17", de 1600 x 1050 foi amplamente suficiente para tudo o que eu fiz com ele. Para dar uma idéia, é mais ou menos o mesmo número de pixels de um monitor Apple Cinema Display ou um iMac, ambos de 20". Entre editar programas, artigos e propostas comerciais (as três coisas que eu mais faço com o computador), em nenhum minuto faltaram pixels (fato da vida em notebooks limitados a 1024x768 e águas passadas para os Apples desde o fim do PowerBook de 12 e dos iBooks).

O teclado tem um bom toque. É idêntico ao do irmão menor, de 15", o que deixa uma margem maior dos lados, já que o notebook todo é maior. Entendo que Steve Jobs não goste de teclas como Home, End, Page Up e Page Down (afinal, o Macintosh só ganhou teclas de cursor no modelo Plus), mas, com o espaço do gabinete bem maior, ele não precisava ser tão minimalista. Ele também está bem mais distante da frente do notebook, o que cria um certo desconforto na operação - minhas mãos estão muito "pra dentro" do micro isso coloca a beirada do além dos meus pulsos, onde ela fica "pegando" nos meus tendões. Dá também uma certa neura: um amigo que usa um notebook igual a esse costuma tirar o relógio com medo de riscar o computador. Não sei se isso vai continuar desconfortável - se um dia eu me acostumo - mas, por hora, o teclado é uma oportunidade de melhorias na próxima versão.

Tamanho

Por falar em tamanho, aqui rolou uma agradável surpresa. Eu estava certo de que teria que tirar minha mega-mochila-gigante do armário para poder carregar o micro por aí e, no fim, não precisei. Ele cabe razoavelmente bem no mesmo espaço que meu notebook ocupa e, como ele é bem fino, cabem os dois juntos no compartimento. É um pouco nerd demais sair por aí com dois computadores na mochila (ainda caberia um terceiro, com o micro certo e algum esforço, mas isso não vem muito ao caso). Dá um pouco de medo, porque ele fica bem perto dos cantos e dá uma esticada nos amortecedores de impacto da mochila. Se você pretende comprar um desses, melhor pensar em comprar uma mochila maior.

Aproveite e compre uma bonita. Ele merece.

Camera

A câmera embutida é uma iSight idêntica à de toda a família MacBook. Não há muito o que dizer dela além de que funciona perfeitamente. Não é particularmente sensível, mas se vira bem e, com alguma sorte (e um pouco de luz na direção certa), dá pra usar em lugares mais ou menos escuros. Uma coisa que podia existir é um jeito de apontá-la em alguma direção (subamostrando um pedaço do sensor) em vez de querer que eu fique em frente à tela enquanto uso o iChat. Um zoom no Photo Booth também seria bem-vindo. Em um computador tão cheio de mimos, os usuários vão ficando muito exigentes.

Conector de energia

Como toda a linha MacBook, este aqui também usa o conector MagSafe. É uma sacada genial em que o conector magnetizado se prende ao corpo do computador sem um encaixe mecânico. Dessa forma, se você sair correndo e esquecer de desconectar o cabo ou tropeçar nele, não vai provocar nenhum acidente mais sério. O indicador de energia/condição de carga é menos legal que o círculo dos iBooks antigos, em que todo o contorno do conector se iluminava - agora é só um LED, pequeno. Funciona, mas podia ser mais legal. Podia também ter o mesmo acabamento do micro - o que veio aqui é branco MacBook, não alumínio MacBook Pro.

Software incluido

Dentro dele vieram vários programas: A família iLife (iPhoto, iWeb, iMovie HD, iDVD e GarageBand), o PhotoBooth (divertidíssimo inutilitário para brincar com a iSight), FrontRow (e seu controle remoto), Comic Life e OmniOutliner (um organizador de idéias bem útil, sem o qual esse texto talvez não tivesse saído). Tudo isso e versões de teste do iWork (Keynote e Pages), FileMaker Pro e Office 2004, tudo isso em 120 gigas de disco.

Office para Macintosh

Por mais que eu proteste, as pessoas usam Office. A bem da verdade, ele é cômodo de usar e, se você não tem remorsos ou encanações de usar formatos fechados e proprietários que você pode um dia não ser mais capaz de ler, ele é um ótimo conjunto de ferramentas. Como quase todo mundo que usa Windows só manda arquivos em formatos .doc, .xls e .ppt (principalmente aqueles slideshows edificantes que chegam no e-mail), é bom ter um à mão. Além disso, a versão do NeoOffice para Macintosh, ainda que tenha feito imensos progressos, deixa um pouco a desejar. De repente, com o XCode novo, o pessoal do OOo resolve dar mais atenção ao Macintosh.

PowerPoint e Keynote

Para qualquer um que já tenha usado o Keynote, dói um pouco usar o PowerPoint. Embora o PowerPoint do Mac tenha ficado bem mais esperto do que seu irmão do Windows (quem diria - a Microsoft copiou as transições do software da Apple), mais ou menos qualquer coisa feita com ele fica parecendo o trabalho de pintura-a-dedo de uma criança de 3 anos quando comparado com a mesma criança de 3 anos teriam feito com o Keynote sem qualquer treinamento.

Certo... Eu exagerei. Mas, dado o mesmo tempo investido, o resultado fica muito mais apresentável se preparado com o Keynote do que com o PowerPoint. E ser apresentável é mínimo que se espera de qualquer apresentação.

No colo

Dissipar calor é uma obrigação para qualquer computador moderno. É por isso que os PowerMacs G5 eram cheios de buracos e ventoinhas e uma das coisas que fez a Apple se decidir por trocar os PowerPC da IBM pelos processadores Intel foi isso - a IBM simplesmente não ia entregar um G5 que não fosse também um aquecedor de ambientes. Embora não seja nem um Pentium 4 nem um G5, o processador Intel Core Duo dos MacBooks gera uma quantidade respeitável de calor. Apesar disso, o MacBook Pro de 17" é bem silencioso. Não se compara à orquestra de ventoinhas de qualquer notebook Pentium 4 do ano passado e faz muito bonito perto de qualquer notebook PC recente. O tamanho extra permite dissipar melhor o calor e, embora a Apple não recomende que se faça isso, dá para usá-lo no colo sem medo de queimaduras de terceiro grau, desde que se tome o cuidado de não usá-lo nu. Uma calça jeans me deixou usá-lo por bastante tempo e, em dias frios (como hoje, aliás) é até gostoso usá-lo assim.

Além disso ser um uso não-recomendado pelo fabricante, um senão no uso deles no colo (isso vale pra toda a família MacBook) é o sistema de dobradiça do display. Nenhum deles consegue se dobrar muito para trás, o que limita um pouco a posição que você pode colocá-lo (normalmente, eu deixo o display mais "deitado" nessas horas, para ter um ângulo melhor de digitação). A dobradiça também é um pouco mais "mole" do que precisaria ser considerando o peso do display e tende a fechar com a inclinação do micro.

No escuro

Um dos truques que mais impressiona os PCzistas e que este notebook e seu irmão de 15"sabem fazer é ajustar a iluminação da tela de acordo com a luz ambiente. Isso e iluminar o teclado. Não é propriamente uma novidade, mas mostra o cuidado extremo com pequenos detalhes que caracteriza as coisas da Apple. No teclado (e na iSight) existem dois pecadilhos: tanto a luz do caps lock quanto a luz que indica que a camera está ligada são verdes. Poderiam ser brancas, para combinar com o resto. Nunca se deve usar mais cores do que o necessário.

Podia ser pior - entregue às hábeis mãos dos engenheiros da Dell, seria um LED azul.

Desempenho

O MacBook Pro certamente é um dos computadores pessoais mais poderosos que se pode comprar. Com até 2 gigas de memória, 120 de disco e um processador Intel Core Duo de 2 GHz, poucos desktops do mercado podem se comparar a ele. Com os problemas cada vez maiores com dissipação de calor e o projeto do Pentium 4 cada vez mais um beco-sem-saída, a Intel buscou a solução em uma arquitetura mais próxima do Pentium III e do seu descendente, o Pentium M e, com isso, conseguiu fazer processadores rápidos e eficientes. Os processadores Intel Core e, mais recentemente, os Core 2, são o passo atual dessa evolução. Foram esses processadores, aliados à impossibilidade de se ter um PowerPC "frio" que fizeram com que a Apple trocasse o PowerPC pelos processadores Intel.

Eu tenho certeza de que, com tempo e dedicação, eu poderia fazer com este computador coisas que o deixariam lento. Enquanto escrevo este texto, estou ouvindo música, rodando um Linux em uma VM do Parallels e comprimindo vídeos usando o ffmpeg. Poderia tentar fazer isso tudo finalizando um vídeo em HD. Graças ao processador dual-core, ao fato do MacOS X ter herdado os superpoderes de multi-tarefa do Unix e ao milagre do "nice -n 19", todas essas coisas podem acontecer ao mesmo tempo. Quanto mais trabalho eu dou pra máquina, mais lenta ela fica, como deveria ser, sem soluços. Com o Parallels, eu não preciso de um dual boot - eu posso rodar um Windows, um Linux ou um Solaris (não tentei isso) em máquinas virtuais enquanto trabalho no MacOS. Melhor: Posso pegar uma máquina virtual, copiar pra um DVD e levar para outro computador.

Finalizando

O MacBook Pro de 17" não é um notebook para qualquer um. Ele é grande e não é perfeito, mas para aqueles que precisam de um computador portátil de alto desempenho, para aqueles que não se importam em pagar mais para ter um notebook melhor ou para aqueles que não ligam para carregar 5 cm a mais de um computador, ele é a melhor opção do mercado. E melhor ainda: ele não vem com Windows como todos os seus concorrentes.

E, claro, o maior defeito dele é, de longe, que eu preciso devolvê-lo à Apple. Bem que eles podiam esquecer desse aqui.

© Ricardo Bánffy

Este artigo também está disponível no número 4 da revista MAC+.