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O Que Eu Queria Mesmo

by Ricardo Bánffy last modified Nov 19, 2008 08:29 PM
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A Apple, os Macs com processadores Intel e o contraste com minhas necessidades individuais

A MacWorld veio e foi. Steve Jobs finalmente apresentou seus novos Macintoshes baseados em chips Intel, um par de iMacs e um par de notebooks. PCs e Macs usam os mesmos processadores e o mundo não acabou.

Era importante mostrar notebooks. A Apple quer capturar a imaginação daqueles que estão de saco cheio de desenvolver com e para Windows. Para essas pessoas, um notebook que foi projetado para rodar Unix e em que tudo funciona é uma coisa muito próxima do que várias religiões falam do paraíso. E você nem precisa morrer para chegar lá.

Desenvolvedores usam notebooks. Eles nunca sabe quando a inspiração vai bater. E eles nunca vão ter um computador configurado direito por perto. E um computador genérico é tão ofensivo para um desenvolvedor quanto um piano ruim é ofensivo para um virtuoso.

O Presente Errado

Eu sei que eu não sou maioria.

Mas eu esperava outra coisa dessa MacWorld.

Eu não queria iMacs e MacBooks. Eu queria Minis e iBooks.

Não tenho qualquer vontade de comprar um iMac. Não que eu não goste deles - eu gosto e bastante. É que eu gosto mais do Mini. Eu gosto do meu teclado Microsoft (O Natural Keyboard) e do mouse deles - São os dois melhores produtos da companhia, afinal - e não vou abrir mão deles pra rodar MacOS X como não abri mão deles para rodar Linux quando eu fiz minha Grande Travessia para Longe do Windows. Um iMac com um teclado Microsoft é uma coisa estranhíssima. Realmente incomoda. Com seu tamanho minúsculo, o mini tem a única capacidade de combinar com qualquer coisa: ele simplesmente desaparece. Um mini com teclado e mouse Microsoft é algo suportável. Quanto ao iMac ser mais rápido, tudo bem... Mesmo um computador "pedestre" está bom pra mim - eu não jogo Quake nem ripo DVDs - eu trabalho e, nas horas vagas, fico longe do computador.

Também não tenho vontade de comprar um PowerBook (ou um MacBook Pro). Claro que eles são lindos. Claro que o teclado que se ilumina sozinho no escuro é duca.

Mas ele é muito caro.

Não me entenda mal. Eu sou um pão-duro, mas eu tenho bons motivos.

Eu sei que o MacBook Pro é muito bem construído. Mas eu uso computadores como ferramentas de trabalho e tento não passar dois anos com uma mesma máquina. Todas as coisas boas, todos os pequenos refinamentos, são legais. Mas, entre gastar R$ 5 mil em o que eu suponho seja um "MacBook Amateur" e R$ 10 mil em um MacBook Pro, eu fico com o mais barato.

Meu micro de trabalho anda de mochila, apertado entre as outras coisas dentro dela. Dentro da mochila, ele é jogado, muitas vezes sem qualquer cerimônia, no banco de trás de um carro. Ele cai no chão em freadas. Nas minhas costas, ele bate em coisas. Anda por mesas de restaurante e sofre acidentes com substâncias corrosivas. Ele tem pó no trackpad. Ele tem pó em tudo.

Ele sofre todo tipo de abuso.

Claro que um MacBook Pro foi feito para aguentar tudo isso e continuar funcionando.

Mas a dura realidade é que ele vai estar revoltantemente feio muito antes do meu lado pão-duro querer trocá-lo.

Ser Feio

Ser feio para um Dell, para um Toshiba ou para um Acer é normal. É um fato da vida. Um Toshiba riscado é algo corriqueiro. Ninguém fica triste com isso.

É como uma espinha na testa do homem elefante.

Macs São Bonitos

Macs são construídos para serem bonitos. Desde a aparência externa ao sistema operacional, da GUI ao microkernel. E eles são bonitos. Eles têm uma beleza e elegância profundas que designers, engenheiros e computólogos olham e entendem, mesmo que os não-iniciados entendam dessa beleza tanto quanto um pagodeiro entende Mozart, todos podem olhar e sentir.

É essencial que um Mac permaneça bonito ao longo de sua vida, mesmo que, por conta disso, sua vida tenha que ser curta.

Um arranhão é tão frustrante como inevitável. Todo PowerBook risca. Até que a Apple descubra como se faz para cobrir um computador com um filme de diamante evaporado ou com uma camada de carboneto de tungstênio, eles vão continuar riscando.

É por isso que eu queria um MacBook Amateur. E eu queria com um preço para competir com as abominações estéticas da Toshiba, da Dell e da Acer.

Porque, quando ele ficar feio, eu vou comprar outro.

Adendo: Quanto à possibilidade de rodar Windows num computador Apple, bem... Um dia alguém vai colocar neon e um aerofólio de alumínio em um Maybach, esquecendo-se que apenas ser possível não não faz de algo uma boa idéia.

© Ricardo Bánffy

Este artigo foi publicado na Macmania número 129, no Ombudsmac (última página).