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Programação como arte performática

O "Dueto das Flores", parte do primeiro ato de Lakmé, nunca deixou de me comover.

A busca da beleza deve sempre fazer parte da nossa vida e do nosso trabalho. Foi pensando nisso que eu resolvi colocar aqui esse vídeo que mostra uma performance pouco usual. Talvez muitos nunca tenham pensado em programação de computadores como uma arte, muito menos como uma arte performática. Para muitos, programar é apenas um trabalho como qualquer outro.

Não é.

Ou, pelo menos, não precisa ser.

Prime Factors Kata in Ruby, Flower Duet, Lakme' por unclebob no Vimeo.

Sempre que programamos, estamos, como na poesia, buscando aquele ponto preciso entre concisão e expressividade, como no design, entre minimalismo e funcionalidade, ou como nas artes marciais e na dança, onde buscamos o movimento e o equilíbrio harmônicos e perfeitos. É o exercicio da precisão na manifestação de idéias.

O original do vídeo você encontra aqui, explicações de como e porque foi feito, aqui. A primeira versão do Dueto das Flores que se ouve no vídeo é a do grupo inglês All Angels, a segunda, do East Village Opera Company, mas eu, pessoalmente, prefiro uma interpretação menos pop-music.

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IRC para trabalhadores oprimidos

Para muitos, IRC é uma tecnologia quase esquecida.

IRC, para quem nunca soube (ou já esqueceu), é uma sigla para Internet Relayed Chat. Uma rede IRC é composta de servidores (nós) aos quais você se conecta usando um cliente IRC. Nessas redes você encontra usuários, que estão se comunicando em um ou mais "canais".

Essas redes de IRC têm um papel central em muitos projetos distribuídos. Uma das mais importantes é a freenode. É nos canais dela que os usuários e criadores de vários (na casa de centenas) produtos se encontram para trocar idéias, tirar dúvidas e sugerir alterações. É muito mais rápido do que perguntar algo numa lista de e-mails. Foi no canal "#httpd" (do pessoal do Apache) que eu resolvi um problema de configuração em que eu esbarrei hoje de manhã. Não é exagero dizer que as redes de IRC são um dos pilares do desenvolvimento de software de código aberto. Sem elas, a comunicação seria muito mais complicada.

É, por isso mesmo, um recurso extremamente valioso.

Infelizmente, por questões as mais variadas, muitas empresas bloqueiam as portas por onde passa o tráfego de IRC nos seus firewalls, isolando seus usuários. Quem trabalha nesses lugares acaba até mesmo esquecendo que redes IRC existem ou acaba com a falsa noção de que ninguém mais usa. Acaba sendo obrigado a resolver seus problemas pelas listas de discussão por e-mail. Lento, doloroso e ineficiente.

Para nossa sorte, o bloqueio das portas do IRC não quer dizer que esses proletários oprimidos precisem viver em isolamento, incapazes de se mobilizar: algumas dessas redes - a freenode entre elas - têm fronts HTTP. Para usar o front HTTP da freenode, você só precisa digitar o endereço http://webchat.freenode.net/ no seu navegador, escolher um nickname e um canal no qual entrar. Daí em diante, é como se você estivesse usando um cliente IRC no seu próprio computador. Para saber mais sobre como se usa o IRC (e etiqueta é importante), eu recomendo o IRC Primer.

De resto, se você está lendo isso de dentro de uma rede em que não consegue usar um cliente IRC de verdade, não pense duas vezes: saia explorando, aprenda e converse. Há um monte de gente lá esperando por você.

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TEDxSP

TEDxSP

Eu preciso começar dizendo que estou me sentindo pequeno.

Desde as primeiras palavras vindas do palco - "Pneumotórax", de Manuel Bandeira, declamado pelo pianista Vitor Araújo, um pernambucano de Recife, de 20 anos de idade, que abriu o primeiro bloco - eu sabia que não haveria como ser diferente. Eu gostaria de registrar essa experiência agora, enquanto a memória é forte o bastante para que eu possa escrever sobre ela "pelo lado de dentro". Levou um certo tempo, da noite de sábado, quando eu mal conseguia falar, atordoado, até a noite de segunda, para me sentir capaz de fazer isso. Não voltei ao "normal" e, com sorte, talvez nunca mais volte, mas já consigo escrever. Isso é um começo.

Idéias: eu fui uma das 700 pessoas que foram expostas a um oceano delas. E isso foi dalí, de pertinho, da segunda fileira do teatro, de onde eu conseguia ver as lágrimas comovidas de quem subia ao palco com voz falhando. Lágrimas comovidas como as da própria platéia. Uma experiência estranha e assustadora ao mesmo tempo. Eu não imaginava que teria uma reação emocional tão forte. Eu nunca imaginaria que tantas pessoas à minha volta teriam uma reação emocional parecida - e as lágrimas estavam lá, no palco e na platéia, provando o quão errado eu estava. Talvez precisássemos disso. Talvez precisássemos muito sem nem mesmo saber.

Idéias poderosas, idéias grandes, idéias importantes, idéias bonitas, idéias de tirar o fôlego. "Idéias que mercem ser espalhadas". Esse é o mote do TED desde sempre, desde muito antes de eu descobrir que ele existia, levado por um vídeo tirado de uma apresentação de Jeff Han. Idéias ficam maiores quando compartilhadas. E lá estavam centenas de pessoas formando a massa crítica de um enorme reator de ideias.

A cabeça explodiu.

No fim do sábado eu voltei para casa. Voltei uma pessoa diferente. Voltei em pedaços, desconstruído, em uma caixa de legos, apequenado frente ao mar de possibilidades a serem realizadas a partir deles. Projetos novos, pessoas para procurar, ajuda a oferecer e idéias para trocar.

Mas tudo a seu tempo. Agora foi a hora de escrever e compartilhar a infinitesimal fração que eu pude colocar em palavras.

Porque essa idéia merece ser espalhada. É uma idéia cujo tempo chegou.

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Market share Superior

Hoje o Macmagazine está mostrando uma matéria assinada pelo Rafael Fischmann, que é um cara muito legal e que escreve bem, que usou um termo de uma forma que, eu entendo, leva a uma interpretação absurda.

Ele diz "O Windows 7 (...) tem um market share superior ao do Mac OS X 10.6 Snow Leopard" (o destaque é meu).

Eu sei perfeitamente bem que o market share do Windows é imenso. Sei igualmente bem que qualquer versão de Windows vai cruzar a barreira de 10% de usuários com relativa facilidade, uma vez que é quase mais difícil comprar computadores genéricos com a versão anterior de Windows (o que, com a caca que é o Vista até fazia sentido antes, mas com o 7 - que é melhorzinho - não faz mais) do que comprá-los com Linux. Computadores quebram e são aposentados. Computadores novos vêm com Windows 7.

Simples assim. O crescimento dele no mercado é tão inevitável quanto o próximo nascer do sol ou decaimento do Urânio 235.

A palavra certa

"Maior". O market share do Windows 7 é maior do que o do Snow Leopard. É maior do que o do Linux. Mas, Rafael, me perdôe, não é superior exceto na estreita interpretação de superioridade numérica.

Superioridade numérica raramente pode ser ligada a "melhor", um sinônimo do adjetivo "superior" que é mencionado no dicionário. Há mais pagodeiros do que jazistas e mais funkeiros do que amantes de bossa-nova. Corinthianos são mais numerosos do que são-paulinos. O Xbox 360 é mais vendido que o PS3 e o PS2 é mais vendido que os dois juntos. "Mais" nunca quer dizer "melhor". Uma coisa não tem relação com a outra.

Então, vamos encarar o inescapável fato de que usuários de Mac, GNU/Linux, BSD e OpenSolaris são mais selecionados do que os de Windows, porque:

  • Eles sabem o que é um sistema operacional e são capazes de escolher qual usar (tirando aquela meia-dúzia de sempistas que compraram Mac porque era chique)
  • Entenderam que sistemas Unix-like são mais seguros, estáveis e versáteis do que esse filho bastardo do VMS que a Microsoft vende por aí
  • Sacaram que todo o jeito com que se instala programas no Windows é completamente surreal. No mau sentido.
  • No caso dos usuários de OpenSolaris, entenderam que ZFS é ducaralho.
  • No caso dos usuários de Linux e de OpenSolaris, entenderam que gerenciamento de pacotes é O Único Jeito São de se manter um computador e o software que roda nele inteiros. Eu excluo os usuários de Mac e BSD porque os sistemas deles ainda precisam comer muito arroz com feijão nesse terreno.
  • Descobriram que mesmo aquele Atom vagaba que se arrasta no XP consegue rodar uma dúzia de programas sem deixar nenhum deles impossivelmente mais lento do que os outros.
  • E que tiveram outras tantas pequenas epifânias para as quais usuários de Windows simplesmente ainda não estão prontos.

O Windows é feito para o homem comum, para os medianos, para quem não se preocupa em ter a melhor ferramenta. Não hostiliza os abaixo-da-média e atrás-da-curva, uma inclusividade social louvável por si só. O market share dele é grande justamente por isso.

Mas, cá pra nós, superior mesmo é o resto do market share.

Não é questão de quantidade, mas qualidade.

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Incrívelmente simpres!

Incrívelmente simpres!

Não sei também como dizer isso delicadamente. Na impossibilidade de ser gentil, serei curto-e-grosso: a Microsoft não destina o Windows para pessoas particularmente inteligentes.

Não que todos os usuários de Windows sejam burros ou semi-analfabetos - não são. Muitas pessoas extremamente inteligentes usam Windows. Costumam ser pessoas que precisam dele, ou que, por alguma questão que desafia a lógica, gostam dele, ou ainda que não se importam nem um pouco com que software rodam nem, assim como com salsichas, como ele é feito. Assim como na população geral, essas pessoas particularmente inteligentes não são maioria.

Mas eu preciso também dizer que não é uma demonstração inequívoca de brilhantismo quando alguém paga caro por um produto inferior, ou mesmo quando paga R$ 10 do camelô ou ainda quando baixa de um torrent qualquer. E comprar software pirata é sinal de desonestidade mais do que de esperteza.

Sendo direto: a maioria dos usuários de Windows, assim como a população em geral, não é composta, para usar um anglicismo, pelo "best and brightest". Ao contrário - a Microsoft faz o possível para, se não atrair, pelo menos não espantar o "worst and dimmest". Faz sentido: ela quer o maior público possível para seu software e ser seletiva (alguns diriam "elitista") não seria a melhor estratégia. De elitista basta a Apple. Microsoft é povão.

Precisamente por isso, não fiquei nem um pouco surpreso quando me apontaram, no site da Kalunga (um dos grandes parceiros da Microsoft), a imagem abaixo:

Incrívelmente simpres! 

 

Agora... Eu esperava um pouco mais de cuidado e atenção. Ou, se não cuidado e atenção, pelo menos alguma supervisão adulta sobre quem faz o site.

Por outro lado, considerando tudo o que eu disse acima com toda a delicadeza que consegui me permitir, o anúncio está sob-medida para o público-alvo.

Nota:

Até o momento (domingo, dia 1/11), a aberração não foi corrigida. Está lá. Basta abrir a página, descer pela coluna da esquerda até encontrar um flash de "Lojas especiais" e clicar no "Microsoft" nele. O link do meio do texto não vai funcionar por defeitos de construção do site que nem vale a pena discutir aqui.

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Como previsto anteriormente...

Como já prevíamos, os fumantes foram apenas os primeiros.

Parece que os obsesos são os próximos.

Ainda que eu não seja nenhuma das duas coisas, acho que vale a pena pensar se é isso que nós queremos.

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Limpeza étnica de web-sites

Quem me conheçe sabe que eu não tenho a Microsoft em alta conta. Para mim é dificílimo imaginar a empresa atuando como uma corporação responsável ou de qualquer forma que incentive a prática de altos padrões morais. Para mim, eles são mais um sinônimo de competição predatória e irresponsável.

Mas esse não é o ponto desse post

Imagem e publicidade

A moldagem de mensagens publicitárias para um determinado público-alvo pode se tornar um problema espinhoso muito facilmente e qualquer iniciativa nesse sentido deve ser considerada com muito, muito cuidado. Foi por isso que eu me surpreendi com uma discussão no Hacker News que mostrava dois links para páginas correspondentes em sites da Microsoft, uma delas nos Estados Unidos, outra na Polônia. As imagens das páginas foram, desde então, igualadas, mas eu deixo aqui um retrato de como elas estavam hoje à tarde.

Primeiro a página da matriz:

Microsoft - Produtividade versão EUA

E, em seguida, a versão polonesa da mesma página:

Microsoft - Produtividade versão Polônia

Eu preciso admitir que mesmo não usando mais os produtos da empresa, ela continua me dando, se não alegrias, motivo para riso.

Adendo: Eu não tinha visto isso quando escrevi o post: http://microlove.ytmnd.com/

Você precisa seguir o link.

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Primeiro vieram atrás dos fumantes

Outro dia, na porta do escritório, participei de uma conversa interessante. Dois amigos fumantes, que agora precisam sair do prédio para fumar - não podem mais fazê-lo no terraço da cobertura, por exemplo, estavam reclamando. Me diverti com o argumento de que poderiam obrigar fumantes a usar um símbolo costurado às roupas. Poderiam também criar bairros específicos para eles, para que não interferissem com o espaço vital dos outros e pudessem, neles, fazer todas aquelas coisas que fumantes fazem, entre eles. Esses bairros poderiam ter seu acesso controlado, para que fumantes não pudessem sair, enquanto a sociedade pensa em uma solução final para esse problema.

O Pastor

O fantasma do Pastor Martin Niemöller me assombra de tempos em tempos. A crescente estupidificação de nossa civilização e suas possíveis conseqüências me incomoda. É com um pouco do espírito dele, da vontade de alertar os meus semelhantes de uma iminente bobagem, que eu fiquei com vontade de brincar com um poema que ele não se lembrava de ter escrito, mas que é atribuído a ele mesmo assim.

Primeiro vieram atras dos fumantes, mas,
como eu não fumo, eu não disse nada.

Depois vieram atrás dos gordos, mas,
como eu não sou gordo, eu não reclamei.

Então vieram atrás de quem dirige carros.
Como há tempos eu não dirijo, eu não me levantei.

Por fim, quando vieram atrás dos inteligentes que sobraram,
os que vieram eram burros demais para entender os protestos.

Nota rápida: um amigo meu me alertou para um fato curioso: parece que o poema, ocasionalmente atribuído a Brecht, é muito parecido com o de um brasileiro, Eduardo Alves da Costa.

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Embaraçoso, parte 2

Mais um capítulo interessante na saga em que se transformou o desastrado viral que a Wunderman (foram eles mesmo?) fez para a Dell com a música de "Dança do Créu": Agora a versão modificada, que eu linkei no último post, saiu do ar de vez.

Do primeiro eu guardei o .flv. Desse não deu tempo.

 

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Embaraçoso

Embaraçoso

Eu quase nunca fico sem palavras.

Hoje eu recebi o link do que eu suponho seja um comercial da Dell. Comerciais não são baratos. Normalmente têm uma agência de publicidade, uma produtora e dezenas, se não centenas, de pessoas envolvidas e alguém, supostamente competente, para assinar o gordo cheque.

Eu queria dizer a todos os envolvidos nesse comercial que eu posso até continuar comprando equipamentos da Dell, mas que eu preferiria nunca ter visto essa abominação.

Adendo 1 (de 6 de maio): Curioso esse negócio de internet. A Dell, em silêncio depois de uma enxurrada de críticas, tirações de sarro e todo tipo de porrada por toda a blogosfera, resolveu mudar a música. O vídeo continua exatamente o mesmo, mas a música... quanta diferença.

E estou particularmente chocado com os publicitários que permitiram que essa peça visse a luz do dia. Coisas assim deveriam ser enterradas em blocos de concreto, junto com a pessoa que teve a idéia.

É isso... A Microsoft gasta rios de dinheiro com campanhas tentando provar que tudo bem não ser descolado o bastante para usar um Mac e aí vem a Dell e estraga tudo com um viral desses. É o equivalente PC das "duas garotas e um copo".

Adendo: Para os realmente bravos, ainda há uma versão em inglês:

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Ubuntu e o tempo de boot

Ubuntu e o tempo de boot

Não é lenda que máquinas Linux quase nunca bootam. Assim sendo, o tempo que elas levam para ficar disponíveis depois de serem ligadas é despresível comparado com o tempo em que você fica usando a máquina. Infelizmente, nem todo mundo pode deixar seu computador ligado, suspenso ou hibernando todo o tempo. Eu prefiro desligar meu netbook quando não vou usá-lo por algumas horas e, por conta disso, tenho que passar por uma "partida a frio" do computador quando quiser usá-lo de novo.

Pensando nesses usuários, o pessoal da Red Hat e da Canonical tem feito enormes progressos na redução do tempo de partida de nossos computadores. O vídeo abaixo (tirado daqui) mostra um Thinkpad com "disco" flash indo do auto-teste ao browser em pouco mais de 20 segundos.

Bootar de um disco de verdade deve demorar mais, mas, ainda assim, estou impressionado com o resultado.

Se pelo menos o Vista fizesse isso depois de um BSOD...

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Biodiversidade, parte 2

Algum (bastante) tempo atrás, eu, entre muitos outros, alertei sobre o risco que corremos quando adotamos computadores iguais rodando todos os mesmos programas. Alertei, particularmente, para o risco de uma plataforma completamente alheia à idéia de segurança ser a plataforma majoritária em nossa quase monocultura.

Bom...

Primeiro de abril chegou, passou e nada aconteceu. Confickers por todo o planeta passaram a se atualizar de uma forma diferente e um pouco mais complicada. Mas nada aconteceu.

Agora começam a chegar relatos de que eles estão baixando um pacote com suas funcionalidades. Ainda não há muita informação sobre o que ele é e o que ele faz, mas PCs - milhões deles - espalhados pelo planeta estão recebendo suas ordens.

Daqui do alto de um sistema operacional seguro eu poderia me apegar à ilusão de que eu estou cruzando a Mach 3, cinquenta mil pés acima das tempestades a que os usuários de outras plataformas estão sujeitos. O único problema é que isso não é verdade.

Embora meu notebook seja virtualmente à prova de vírus, eu ainda enfrento o bombardeio de spam, as cerca de 10 tentativas (fúteis) de invasão por segundo de meu servidor pessoal e compartilho minha banda com dezenas ou centenas de botnets que saturam os encanamentos da internet. 83% dos e-mails que batem em meu servidor são spam e apenas uma pequena fração deles vêm de data-centers de verdade.

Máquinas mal-administradas são um problema não só para seus donos, que têm suas contas roubadas, sua banda e seus computadores saturados porque estão fazendo coisas que não deveriam estar fazendo, mas de todos nós que sabemos como se faz para não ter nossos computadores invadidos. Não fomos nós que criamos o problema, mas teremos, ainda assim, que aturá-lo. 

Máquinas inseguras são a causa de mais de 80% da "poluição ambiental" da internet.

Depois ainda me perguntam por que eu acho que deixar a própria máquina fazer parte de um botnet deveria ser crime...

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Se o outro é o Jesusphone, como esse vai se chamar?

O mercado de gadgets às vezes passa um tempo sem grandes novidades, mas, de vez em quando, aparece um produto que provoca uma revoluçãozinha. Estamos falando não do iPhone (que acordou a indústria de smartphones do seu sono tedioso), mas do Palm Pre, a "tábua de salvação" da Palm.

A Palm pode não ter inventado o smartphone, mas eles compraram depressinha quem inventou, a Handspring. Ainda hoje, alguns dos smartphones da empresa usam o nome Treo, herdado da finada (ou assimilada) Handspring.

Infelizmente, essa foi a última decisão inteligente que a empresa tomou por muitos e muitos anos. Sério... Para dar uma idéia da seriedade do problema, eles compraram o BeOS depois da Be morrer.

Agora, finalmente, parece que a Palm resolveu que ia deitar e morrer como os analistas esperaram, mas sim fazer um daqueles gadgets que todo mundo vai querer ter.

Eu, pelo menos, quero um.

E, como se isso não bastasse, ele ainda roda todos os zilhões de programas que existem para a plataforma Palm atual (aquela que eles espertamente venderam para a Access)...

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Providências tardias

Hoje, depois de tempo demais, talvez, eu resolvi pedir à Arquidiocese de Olinda e Recife para que agendasse minha excomunhão. Sugeri a quinta-feira, caso isso tenha que ser feito presencialmente. Quintas são mais tranquilas para mim e eu posso ter que ir até lá.

Já há muito não posso ou quero me considerar católico, ou mesmo cristão. Agnóstico é o mais longe que eu vou nesse terreno escorregadio - com meus amigos ateus declarados eu brinco que me falta a fé necessária para afirmar sem sombra de dúvida que o amigo imaginário de tantos outros não passa disso: de um amigo imaginário.

A gota d'agua foi a excomunhão da mãe e dos médicos de uma menina de 9 anos, 33 Kg e 1m30 de altura, grávida de gêmeos resultantes de um de muitos estupros sofridos desde os 6 de idade pelo padrasto que a Igreja acha não merecer a excomunhão.

Quem quiser me seguir pode produrá-los diretamente ou, melhor, procurar o representante da Igreja mais próximo de onde você mora, para evitar viagens desnecessárias.

Em São Paulo, o site é http://www.arquidiocese-sp.org.br/contato.htm, onde há e-mails e telefones. A página em que eu fui é em http://www.arquidioceseolindarecife.org.br/falmang.htm e tem um formulário para contato pela web. No Rio de Janeiro, você pode ir a http://www.arquidiocese.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=40.

Rupturas como essa não são coisas fáceis. Eu sei que essa decisão magoa pessoas muito queridas, mas também sei que elas entenderão e respeitarão minha decisão. Em outros tempos, eu ainda encontrava alguma compatibilidade entre os valores da Igreja Católica e os da minha consciência.

Hoje não consigo mais. É tempo de ouvir minha consciência.

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Que medo!

Que medo...

Aviso do Twitter

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"Elevate our profits"

Às vezes eu fico desconfortável criando um longo desfile de posts ridicularizando, questionando ou condenando a Microsoft. Eu preferiria ser considerado pro-software-livre, pro-diversidade, pro-inovação e outras coisas do que ser considerado mais um de tantos rabugentos anti-Microsoft.

O problema é que eles vivem fazendo coisas que merecem o ridículo público.

Não me entendam mal. Eu gosto de falar mal da Microsoft. Ela é o valentão burro da escola, que é forte, mas sempre acaba fazendo papel de bobo, mesmo quando bate nas crianças mais fraquinhas. É bronco, tem manchas de suor nas axilas e cheira mal. Peida em público. Nunca fica com as garotas.

Eu acabei de ler no Slashdot (uma fonte sem fim de inspiração para MS-related rants) que a Microsoft tem seu próprio plano de estímulo para a economia americana. O plano se chama "Elevate America".

Isso pode ou não ser uma resposta ao pedido de Obama a Scott McNeally (o divertidíssimo ex-CEO da Sun e rabugento-mor do time anti-Microsoft) para que investigasse software de código aberto como uma forma de poupar dinheiro público ou ao apelo de 19 proeminentes figuras do mundo open-source para que Obama considerasse o estímulo direto a projetos abertos como forma de estímulo econômico. Não há como saber. A idéia é suficientemente estúpida para ter partido das fileiras da companhia, de alguém ansioso demais por subir a escada corporativa.

O plano idiota é assim:

(não riam, por favor)

Em um primeiro momento, a Microsoft vai disponibilizar, em seu site, material didático ensinando coisas como como usar a internet, como mandar e-mails e como criar currículos (com Windows, IE e, provavelmente, Office, respectivamente), assim como material "mais avançado" sobre como usar outros produtos da companhia.

Em um segundo momento, ela vai recrutar a ajuda de capan^H^H^H^H^H governos locais como os dos estados de Flórida, Nova Iorque e Washington para tornar esses materiais facilmente disponíveis para seus moradores.

Estou comovido com toda essa generosidade em ensinar as pobres pessoas a usar os produtos que eles mesmos vendem. Só achei que, para ter o apelo emocional correto, faltam no site algumas fotos de filhotes de labrador.

Isso tudo é medo de que as pessoas descubram que não precisam da Microsoft para usar seus computadores? Que é perfeitamente possível fazer tudo isso que eles se propõe, generosamente, a ensinar, sem pagar um tostão pelos produtos meia-boca do paquiderme de Redmond?

Depois eles querem processar pessoas que dizem que eles adotam táticas de traficante para aliciar usuários... O que é isso se não dar de presente ao futuro dependente sua primeira dose?

Nota: Você também encontra esse artigo lá no Webinsider. Lá você também vai encontrar os comentários dos leitores de lá, que costumam ser muito mais numerosos que os daqui.

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Steve Ballmer é um cara engraçado

Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer a Steve Ballmer por ele ter sido um cara tão engraçado no palco.

Durante um debate no GSMA Mobile World Congress 2009, ele, o CEO da empresa que com mais afinco se dedica a exterminar qualquer forma de competição, que defende seus monopólios de forma quase criminosamente agressiva (tiremos o "quase" quando olharmos pelo lado da Comissão Européia) e que insiste, como nenhuma outra, a usá-los para alavcancar sua presença em outros potenciais monopólios (o que viola quase todas as leis dedicadas à preservação de mercados competitivos), disse que a Apple deveria fazer o iPhone ser mais aberto, porque "abertura é o fundamento da escolha".

Logo ele...

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O que é que eles têm na cabeça?

Eu ontem ia mostrar a impagável versão de YMCA que o usuário (ou a usuária) azz100c deixou no YouTube apenas para descobrir que ele foi DMCA-izado. DMCA é o Digital Millenium Copyright Act, uma lei que existe nos EUA e que estabelece um mecanismo (as DMCA takedown notices) que permite que os donos de alguma obra peçam sua imediata remoção de sites como YouTube. O problema aqui é que o material (os vocais e o videoclipe de YMCA, com acompanhamento musical do Songsmith) pode ser facilmente encarado como uma paródia e paródias são consideradas, pelo menos nos EUA, protegidas pelo direito constitucional à liberdade de expressão.

Aqui não, infelizmente. Não existe essa coisa de liberdade de expressão no Brasil, a menos que sua expressão não desagrade ninguém que possa pagar um advogado melhor do que o seu. Mas isso é assunto pra outro dia.

O usuário disse que já preparou a counter-notice. Vai ser interessante ver o que acontece.

Agora, legalidades à parte, que idéia estúpida pedir para que o material seja removido. Pessoas estavam vendo o vídeo, rindo e lembrando que o Village People um dia existiu. Talvez até ainda vendessem uns CDs a mais...

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Coisas realmente ruins

Algumas coisas são ruins, mas muito ruins mesmo. E, surpreendentemente, em meio a toda essa ruindade, elas ficam interessantes.

Esse é o caso do Microsoft Songsmith. É uma tecnologia interessante, do ponto de vista técnico. A idéia é deixar a máquina "ouvir" uma trilha vocal e, usando alguns modelos, criar acompanhamentos automáticos para suas próprias músicas.

Observando aquele já clássico "toque de Midas" peculiar à Microsoft e, sem mais, eu apresento a vocês:


e...


Não é sempre que isso acontece. mas eu estou sem palavras dessa vez.

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Eu tentei

Eu tentei

Eu sei que não é justo meter o pau no Windows 7 beta como se fosse a coisa pronta, mas eu pensei que pelo menos o instalador funcionasse. Não sei se é porque estou instalando em uma VM, se é por eu usar o VirtualBox (e não VMWare), se foi algum problema ao passar o arquivo .iso de dentro de uma VM (só consegui baixar do IE) para o ambiente Linux em volta dela, se é um problema do instalador ou se sou eu mesmo.

O que eu sei é que eu não vou mais debugar o vapor^H^H^H^H^H sistema operacional dos outros. Já fiz isso antes com o Vista apenas para ter meu único bug report ignorado (a instalação dele estraga completamente o GRUB da máquina, do primeiro alfa até o service-pack 1)

Quando ficar mais perto de pronto, eu olho.

Se ainda me interessar.

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